Com quatro unidades no município, o projeto oferece oficinas e assistência médica para combater o isolamento doméstico e dar tranquilidade às famílias
O Junho Violeta é uma campanha global dedicada à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa. De acordo com dados do Disque 100, a negligência é a forma de violência mais denunciada contra esse grupo no Brasil, superando inclusive a agressão física. Em Saquarema, o Centro Dia vai além do lazer, é um espaço estratégico de proteção.
Atendendo idosos independentes e semidependentes, o Centro tem como objetivo impedir o isolamento social e proporcionar proteção e convivência para a terceira idade durante o dia, servindo de suporte para as famílias. A Professora de português Karen Luanah Moura de Oliveira e seu avô Mário José de Oliveira, o Seu Marinho, são exemplos de vidas impactadas pelo projeto.
O aposentado de 79 anos, Seu Marinho, trabalhou por mais de três décadas com agricultura: “Sou nascido e criado na lavoura. Você quer ver uma alegria minha é me chamar para visitar uma horta”. Há cerca de dois anos, contudo, este saquaremense de Tingui foi diagnosticado com a Doença de Parkinson e precisou abandonar o trabalho nas hortas. As dificuldades foram ainda maiores porque a neta, Karen de Oliveira, era a única pessoa com quem ele poderia contar.
“Eu me transformei em cuidadora em tempo integral do meu avô. Mas, para isso, eu precisava largar o meu serviço. Comecei a trabalhar meio período. Não tinha com quem deixá-lo”, explica Karen.
A solução veio em julho de 2024, quando Seu Marinho passou a frequentar, diariamente, o Centro Dia Aurio de Oliveira (Tio Lico), na Basileia, em Sampaio Corrêa. Com uma equipe diversa de profissionais, o centro oferece, desde 2022, uma infraestrutura completa com serviços de enfermagem, nutrição, apoio psicossocial e oficinas diversas – como pintura, artesanato, oficinas de horta e espaço da beleza. O projeto não é vantajoso apenas para a terceira idade, mas também traz tranquilidade e abre caminhos para seus cuidadores responsáveis.
“É um apoio que mudou a minha vida. Agora, voltei a trabalhar em tempo integral. Não preciso me preocupar se ele vai tomar os remédios ou se vai comer. Porque elas cuidam de tudo isso para mim no Centro Dia, onde ele fica de manhã até a tarde. Isso para mim é maravilhoso. Melhorou a minha vida em 200%. Graças a Deus, o Centro Dia fez isso”, alegra-se Karen.
Quem convive com Seu Marinho notou a melhora dele depois de começar a frequentar o espaço da prefeitura. No Centro Dia, o aposentado fez amigos, se mantém ativo e até aprendeu novos hobbies. Agora, gosta de se dedicar ao artesanato e faz questão de levar suas obras de arte para casa. Mas, sempre que pode, coloca a “mão na terra” e ajuda no cultivo da horta do Centro Dia da Basileia, cujas colheitas são destinadas a unidades de educação municipais.
“Isso aqui é uma beleza, uma maravilha. Estou muito satisfeito; minha neta sai para o serviço despreocupada. É um lugar com tratamento de primeira, para acolher a gente”, afirma Seu Marinho antes de olhar ansiosamente para as mudas de alface que em breve vai ajudar a colher na horta do Centro Dia da Basileia.
A prefeita Lucimar Vidal destaca o papel de Saquarema na quebra desse ciclo de vulnerabilidade.
“O Centro Dia é a materialização do nosso respeito por quem construiu Saquarema. Não é apenas sobre oferecer atividades, é sobre garantir que a terceira idade não fique invisível ou desassistida enquanto sua família trabalha. É segurança para quem fica e paz para quem cuida”, afirma a Prefeita Lucimar Vidal.
Atualmente, O Centro Dia tem quatro unidades espalhadas pelo município e atende pessoas a partir dos 60 anos em situação de vulnerabilidade ou risco social. Para participar, o idoso precisa ser cadastrado nas unidades dos CRAS e CREAS e ser morador de Saquarema com residência comprovada há mais de 5 anos.
Sobre o Junho Violeta
O Junho Violeta é um movimento global de conscientização instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para alertar sobre o combate à violência contra a pessoa idosa. Mais do que uma campanha de denúncia, o mês busca tirar da invisibilidade violações silenciosas como a negligência, o abandono e o abuso patrimonial, que muitas vezes ocorrem dentro do ambiente doméstico. O objetivo é sensibilizar a sociedade para que o envelhecimento seja respeitado como uma fase de direitos garantidos, promovendo redes de proteção que assegurem dignidade, segurança e o fim do isolamento social para a melhor idade.





