No período em que ocorre a COP30, a Feira Literária Internacional de Saquarema (FLIS) investe na literatura voltada para a educação sustentável e o respeito às diversidades. A lista de convidados da quarta edição da feira, que ocorre entre os dias 11 e 20 de novembro no Campo de Aviação, inclui nomes como Itamar Vieira Junior, o angolano José Eduardo Agualusa, Conceição Evaristo, MV Bill, Eliana Alves Cruz e Eliane Potiguara, moradora da cidade e considerada a primeira escritora indígena a publicar um livro no Brasil.

Também haverá bate-papos com a participação de autores como o poeta Fabrício Carpinejar, a jornalista Ana Paula Araújo, e o ex-jogador de futebol Cafu. A autora de livros para crianças, Bia Bedran, será a homenageada da feira, que terá o tema “Ler é abrir-se para o mundo”. Ela fará um dos shows do evento, que também terá apresentações musicais de artistas como Leoni, Lenine e Toni Garrido.

Um dos destaques do evento é a presença de Itamar Vieira Junior, autor de Torto arado e que acabou de lançar o livro Coração sem medo. Ele participará, no dia 11 de novembro, de uma mesa com o também escritor Jessé Andarilho, que escreveu livros como Esquema e Efetivo variável. Andarilho também é idealizador da Biblioteca Marginow, em Antares, Santa Cruz. Os dois conversam sobre “Literatura como Ferramenta de Denúncia Social e Afirmação de Identidade”.

No dia 14, haverá o bate-papo entre duas autoras ligadas aos povos originários. Com o tema “Poesia é Terra Viva”, Eliane Potiguara, primeira escritora indígena a publicar um livro no Brasil, e Márcia Kambeba, geógrafa amazonense nascida em uma aldeia ticuna e autora de livros protagonizados pelos povos originários, vão falar sobre como os saberes ancestrais influem em suas criações. A entrada na feira é gratuita.

As mesas estarão em sintonia com os debates da COP30, a Conferência do Clima, que ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro, no Pará, e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU. As ações da FLIS ajudam no cumprimento de uma das metas preconizadas no ODS 13, de “aumentar a conscientização” sobre mudanças climáticas e seus impactos, por exemplo.

Bia Bedran homenageada e crianças como protagonistas

Não por acaso, o protagonismo infantil é uma das marcas da feira, que tem como um de seus objetivos preparar jovens para proteger a diversidade do planeta. A homenageada deste ano é a cantora, atriz e escritora de livros para crianças Bia Bedran, que tem a proteção ao meio ambiente como tema comum em suas obras.

Além disso, Bia está entre os autores trabalhados no projeto Escola que Lê. A iniciativa consiste em levar para a FLIS escritores cujos livros tenham sido lidos por alunos das escolas municipais durante o ano letivo com o intuito de aproximá-los das crianças. Também como parte do Escola que Lê, os estudantes poderão conversar com autores como o amazonense Tiago Hakiy, descendente do povo indígena Sateré-Mawé, e Eliana Alves Cruz, que lançou um livro com Maurício de Sousa e é autora de obras como Água de Barrela e O Crime do Cais do Valongo.

Uma forma de incentivo à leitura pelas crianças é a distribuição de um voucher no valor de R$ 250 para alunos da rede municipal, para uso exclusivo na compra de livros durante a feira. Entre os expositores, haverá espaço destinado aos autores locais, residentes de Saquarema.

Cultura afro-brasileira em destaque no Dia da Consciência Negra

O dia de encerramento da feira, 20 de novembro, será marcado pelo feriado do Dia da Consciência Negra. Na data, haverá uma mesa com integrantes do Instituto Pretos Novos, que investiga e preserva o patrimônio material e imaterial africano e afro-brasileiro, e o escritor guineense Eliseu Banori. Além disso, a influenciadora Andressa Reis, que mora em Saquarema, vai falar sobre a parentalidade e o desenvolvimento da autoestima de crianças negras.

Antes disso, um dos momentos mais esperados é a conversa entre Conceição Evaristo e MV Bill, prevista para o dia 12 de novembro. O painel, com o tema “Trajetos de Escrevivência”, vai reunir o rapper e a autora falando sobre como a escrita está presente em suas trajetórias. No dia 15, haverá uma conversa entre Thalita Rebouças e o poeta Igor Pires, que se tornou popular durante a pandemia com o livro “Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente”.

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