A partir deste mês de junho, os olhos de moradores e turistas de Saquarema estarão voltados para o mar. Além da tradicional temporada de surfe, começa oficialmente o período de migração das baleias-jubarte e franca pela costa do município. No período, tanto a população local quanto os visitantes devem seguir regras de distanciamento para garantir uma boa convivência e a preservação das espécies. Até o mês de setembro, esses gigantescos mamíferos marinhos cruzam o litoral saquaremense em uma jornada que vai das águas gélidas das Ilhas Geórgias do Sul, na Antártida, até o Banco de Abrolhos, na Bahia, em busca de um ambiente mais quente e calmo para se reproduzirem, darem à luz e amamentarem seus filhotes.

Diferente de municípios vizinhos como Arraial do Cabo, onde os animais costumam aparecer bem mais perto da costa, em Saquarema as baleias tendem a passar mais afastadas da praia. Isso ocorre por conta da geografia local, como explica Jessica Nigro, do Projeto Mar Sem Lixo Saquarema: “As baleias não se aproximam tanto da praia aqui em Saquarema, a visualização é mais longe por conta das pedras, das ondas muito fortes que podem desestabilizar a natação delas e, principalmente, dos filhotes”.

Por isso, os pontos turísticos elevados da cidade, como a Igreja de Nossa Senhora de Nazareth e a Casa da Pedra, tornam-se mirantes perfeitos para a observação em ponto fixo.

“Receber a visita dessas moradoras ilustres em nossa costa é sempre um privilégio e um espetáculo da natureza, mas exige de todos nós muita responsabilidade. Saquarema quer celebrar a vida marinha protegendo-a. Por isso, pedimos o apoio dos nossos pescadores, banhistas e turistas para que respeitem as regras de distância. Cuidar do nosso ecossistema e garantir que esses filhotes sigam viagem em segurança é um dever coletivo”, declarou a prefeita de Saquarema, Lucimar Vidal.

Regras de ouro para a convivência segura

Para garantir que essa passagem ocorra de forma segura tanto para os animais quanto para a população, algumas condutas de segurança são recomendadas aos banhistas, condutores de embarcações e pescadores.

Os banhistas devem evitar qualquer tipo de aproximação das baleias, mantendo uma distância mínima de segurança de 100 metros e não devem jogar objetos ou alimentos na água. Essa mesma distância de 100 metros deve ser respeitada por pescadores e condutores de embarcações sem motor, como remo e vela, sendo proibido perseguir os grupos de baleias ou utilizar redes que possam capturá-las.

Já para as navegações motorizadas, a distância exigida é superior a 300 metros, com a obrigatoriedade de manter os motores em ponto neutro em caso de proximidade. O protocolo também limita a presença a no máximo duas embarcações por vez no local, com tempo estimado de observação de 30 minutos. Esse limite cai para 15 minutos caso haja fêmeas com filhotes.

O que fazer em caso de encalhe?

Em caso de encalhe de animal vivo ou morto na areia ou em áreas rasas, a orientação é isolar o local e evitar aproximação. A população deve acionar imediatamente o Projeto de Monitoramento de Praias do Instituto BW por meio do contato 0800 991 4800. Assim, biólogos e veterinários podem realizar o manejo seguro do animal.

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