O Centro de Apoio aos Pacientes Oncológicos (CAPO), em Saquarema, segue presente no cuidado todos os dias. Mais do que complementar o tratamento médico, o CAPO oferece acolhimento humanizado, com suporte emocional, social e jurídico, acompanhando cada paciente de forma individualizada por meio de uma equipe multidisciplinar.

Após descobrir que tinha câncer de mama, Vanderlea Laranjeira, de 60 anos e moradora de Itaúna, enfrentou um grande impacto, especialmente por ter atuado na área da saúde até 2019, trabalhando com pacientes renais em hemodiálise. “Até a ficha cair foi um baque muito grande”, conta. A notícia veio em 2025, e, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou os exames necessários e passou pela cirurgia apenas um mês depois do diagnóstico.

A paciente conheceu o CAPO por indicação de uma amiga que já participava do programa e diz que se sentiu acolhida desde o primeiro atendimento. Atualmente, Vanderlea continua acompanhada por toda a equipe multidisciplinar, incluindo nutricionista e psicólogo. Ela também participa de atividades como arteterapia e do coral das oncológicas. O CAPO se tornou uma extensão de sua família: “Nós nunca estamos sozinhas. É uma apoiando a outra e Deus amparando todos”, afirma, destacando a dedicação de toda a equipe.

“O que eu gostaria é que as mulheres de Saquarema soubessem que o diagnóstico não é o fim, que o câncer tem tratamento e que, no CAPO, nós temos apoio, acolhimento e reuniões para contarmos nossa história. Que aqui nós temos voz”, relatou Vanderlea.

Denise Gonçalves, de 61 anos, é moradora de Bacaxá e também é atendida pelo CAPO. Ela conta que percebeu mudanças na pele que a levaram a procurar atendimento médico. “Comecei a notar alguns sinais e fui procurar atendimento. Iniciei o tratamento em São Paulo”, conta. Com o tempo, novos sinais surgiram, inclusive no lábio, em 2020, o que exigiu 22 sessões de radioterapia. “Graças a Deus, o problema sumiu e não voltou mais”, disse.

Entre 2021 e 2022, outros sinais apareceram em diferentes partes do corpo, como o couro cabeludo, os braços, o pescoço e as costas. Nesse período, aos 44 anos, ela também se tornou mãe e passou a integrar o acompanhamento de saúde, com consultas a dermatologista e a prática de atividades físicas regulares.

A participação em grupos de apoio trouxe um impacto decisivo. “Fui para um grupo por indicação e conheci pessoas que fizeram toda a diferença na minha vida. Fui acolhida pela assistência social, que me encaminhou para a psicóloga. A partir daí, comecei a frequentar o CAPO e participo de tudo que envolve o espaço”, contou. Hoje, ela participa da “Jornada da Mulher”, faz arteterapia, canta no coral e no grupo “Empoderadas”, na Secretaria Municipal da Mulher.

“O acolhimento que recebi foi o que mais me marcou. As profissionais são atenciosas, sempre dispostas a ouvir e encaminhar para atendimento específico quando necessário”, destacou Denise.
O CAPO foi muito além das consultas médicas. “Antes, eu achava que era só vir, ser atendida e ir embora, mas aqui existe movimento, acolhimento. Um espaço onde a gente se sente bem. Isso mudou a minha rotina, dando momentos para cuidar da minha saúde e do meu emocional. Com o tempo, fui me envolvendo cada vez mais nas atividades, principalmente voltadas para quem já passou por tratamento de câncer, e isso fez toda a diferença na minha vida.”

Hoje, ela afirma se sentir mais segura e bem amparada: “Aprendi a lidar melhor com tudo. O mais importante é que me sinto muito bem acolhida. Espero que outras mulheres também busquem ajuda. Se você está passando por algum problema, procure apoio, converse. O importante é não se sentir sozinha.”

Desde sua criação, o CAPO tem ampliado significativamente o número de atendimentos. Passando de poucos pacientes em 2020, no início das operações do CAPO, para mais de 570 assistidos em 2026. O centro se tornou referência no município, reforçando a importância de políticas públicas que priorizam a humanização do cuidado e o olhar atento às necessidades de cada paciente.

“Nosso objetivo é oferecer um espaço de acolhimento e empoderamento para todas as mulheres que enfrentam o câncer. Sabemos que o tratamento vai além da medicina: envolve cuidado emocional, social e apoio comunitário. No CAPO, elas encontram orientação, atividades de integração e grupos de apoio que fortalecem a autoestima e promovem qualidade de vida, garantindo que ninguém se sinta sozinha nesse processo”, afirmou a secretária municipal da Mulher, Marcia Azeredo.

Entre os diferenciais do serviço está a continuidade do acompanhamento psicológico mesmo após o fim do tratamento, garantindo que o cuidado não se encerre com a alta médica. O CAPO também atua diretamente na melhoria da qualidade de vida, promovendo atividades de bem-estar, integração e fortalecimento da autoestima, como yoga, dança e oficinas.

Além disso, o centro amplia sua atuação ao oferecer suporte social para pacientes em situação de vulnerabilidade, incluindo acesso a programas assistenciais e apoio alimentar. Também desenvolve ações que incentivam a autonomia e a geração de renda, contribuindo para a reconstrução da vida durante e após o tratamento. Iniciativas que fazem a diferença na vida de quem mais precisa.

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